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domingo, 14 de agosto de 2016

Apenas va

Bom, mes amis..
Achei esse texto simples e lindo.
Ainda não fui embora pra poder dizer com propriedade, mas acredito ser mais ou menos isso.
Créditos para o texto: Sua Conterranea

Apenas vá
Leve excesso de coragem
Esqueça a preocupação

Sua mala não vai ultrapassar o limite permitido
Não será extraviada
Mas certamente vai estar cheia de itens desnecessários
Ainda que as coisas mais importantes nunca possam ser transportadas…

Apenas vá
Sua família, amigos e cachorro sobreviverão sem você
E embora isso conforte
É inegável a tristeza que traz

Apenas vá
A dor das despedidas será lentamente substituída pelo entusiasmo da nova vida
O agente de imigração vai ser mais simpático do que você imaginava
E você vai chegar inteiro
Nocauteado, mas inteiro

E não se preocupe se você vai passar frio
Se o vento sopra forte demais
Ou se o calor é insuportável
Você vai dar um jeito

Você vai conseguir viver sem aquele papaia matinal que só tem no Brasil
Sem aquele pão fresquinho com requeijão…
E descobrirá que até sem Todynho vive o homem

Você vai encontrar tudo do que já sentia falta mesmo antes de partir:
Uma academia baratinha
Um parque sossegado
Um novo bar preferido
Acredite: é possível que até toque forró e sertanejo

Talvez você continue frequentando eventos brasileiros
Talvez se interesse por salsa, culinária tailandesa ou espiritualidade indiana

Pode ser que passe a apreciar vinho francês
Ou a valorizar uma cachaça barata

Talvez você chore ao ouvir o hino nacional
Ou queira abraçar um velhinho na rua

Pode ser que doa forte quando o sobrinho negar papo ao telefone
Ou quando você se ver recusando vários convites importantes…

Pode ser que nem lembre das coisas que deixou pra trás
Ou pense nelas diariamente

Descobrirá que:
dá prá viver sem carro
não vai ficar anêmico por falta de pão de queijo
nem careca porque ainda não achou o xampu certo

Você vai dar um jeito
Vai achar um lugar pra morar
Um emprego pra te pagar
E um ombro onde chorar

E vai descobrir que
A gente precisa de muito menos do que imagina
E muito mais do que nunca imaginou

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Minha ausência do processo de imigração

Bonjour mes amis...

Como vocês puderam ver, e se  observarem as datas das postagens, eu fiquei um tempo longe do blog e também desse mundo "migrativo".
Então.. ontem estava pensando sobre isso e resolvi colocar isso aqui no blog, pois pra mim foi totalmente positivo ficar um tempo desligado sobre os assuntos que envolvem viver em outro país a não ser aqui no Brasil. Eu sou dessa leva de pessoas que abriram seus processos com o BIQ México e isso foi e está sendo bem estressante, pois como todos sabem, somos tratados com descaso por ter essa demora de respostas pra tudo, um delay gigantesco para analisar documentos ou simplesmente dar um simples retorno a um e-mail enviado. Enfim, esse tempo meio afastado me fez relaxar, esquecer da angústia de querer ir embora e me fez curtir muito todo mundo ao meu redor, sem preocupar que poderia ser meu último Natal no Brasil, ou último aniversário junto à família...
Foi completamente válido tirar esse tempo pra me desafogar dessa ressaca enorme que o BIQ está me proporcionando, até porque eu vou completar esse ano 3 anos de provincial, e pra quem acompanha por aqui, sabe que houve vários problemas no meu processo, o que só dificultou mais as coisas pra mim.
E o que achei mais interessante de tudo foi ver que mesmo afastado tanto tempo daqui do blog, ainda tem gente que acompanha por aqui, pois hoje está mais fácil acompanharmos por páginas do Facebook ou canais do Youtube. É bom saber que tem gente que torce por nós, que nos acompanha e nos deseja boas novas a cada pequena grande novidade que o processo custa a nos trazer.

Foi ótimo me encontrar desse tempo ausente, tempo que eu estava meio perdido e pude me achar e me permitir ser feliz.

Agora é continuar nessa espera, que espero eu esteja acabando.

Bora esperar o BIQ me dar mais uma posição quanto ao meu CSQ...

domingo, 19 de abril de 2015

Pra refletir...

Já comentei algumas vezes, mas nunca deixei o Brasil, nem mesmo pra passeio. Meu trabalho atual me proporciona a possibilidade de viajar pelo Brasil inteiro, mas ir pra fora ainda não rolou e acredito muito que no dia em que eu imigrar será minha primeira experiência lá fora. Com base nisso, achei esse texto muito bem escrito e recomendo muito a leitura.
Créditos para: Antônia no Divã

É preciso ir embora
Ano passado, na festa de despedida de uma amiga, ouvia calada e com atenção seu dolorido discurso sobre o quanto ela se preocupava com a decisão de ir embora. Dizia se preocupar com a saudade antecipada da família, com a tristeza em deixar um amor pra trás e com a dor de se afastar dos amigos. Ela iria embora para Londres com tantas incertezas sobre cá e lá, que o intercambio mais parecia uma sentença ao exílio.
Dentre dicas e conselhos reconfortantes de outras amigas, lembro-me de interromper a discussão de forma mais fria e prática do que gostaria:
“Quando você estiver dentro daquele avião, olhar pra baixo e ver todas estas dúvidas e desculpas do tamanho de formigas, voltamos a falar. E você vai entrar naquele avião, nem que eu mesma te coloque nele.”
Ela engoliu seco e balançou a cabeça afirmativa.
Penso que na época poderia ter adoçado o conselho. Mas fato é que a minha certeza era irredutível, tudo que ela precisava era perspectiva. Olhar a situação de outro ângulo, de cima, e ver seus dilemas e problemas como quem olha o mundo de um avião. Óbvio, eu não tirei essa experiência da cartola. Eu, como ela, já havia sido a garota atormentada pelas dúvidas de partir, deixando tudo pra trás rumo ao desconhecido. Hoje sei que o medo nada mais era do que fruto da minha (nossa) obsessão em medir ações e ser assertiva. E foi só com o tempo e com as chances que me dei que descobri que não há nada mais libertador e esclarecedor do que o bom e velho tiro no escuro.
Hoje a minha amiga não tem mais dúvida. Celebra a vida que ela criou pra ela mesma lá na terra da rainha, onde eu mesma descobri tanto sobre minha própria realeza. Ironicamente – e também assim como eu – ela aprendeu que é preciso (e vai querer) muitas vezes uma certa distancia do ninho. Aprendeu que nem todo amor arrebatador é amor pra vida inteira. Que os amigos, aqueles de verdade, podem até estar longe, mas nunca distantes. Hoje ela chama o antigo exílio de lar, e adora pegar um avião rumo ao desconhecido. Outras, como eu, e como ela, fizeram o mesmo. Todas entenderam que era preciso ir embora.
É preciso ir embora.
Ir embora é importante para que você entenda que você não é tão importante assim,  que a vida segue, com ou sem você por perto. Pessoas nascem, morrem, casam, separam e resolvem os problemas que antes você acreditava só você resolver. É chocante e libertador – ninguém precisa de você pra seguir vivendo. Nem sua mãe, nem seu pai, nem seu ex-patrão, nem sua pegada, nem ninguém. Parece besteira, mas a maioria de nós tem uma noção bem distorcida da importância do próprio umbigo – novidade para quem sofre deste mal: ninguém é insubstituível ou imprescindível. Lide com isso.
É preciso ir embora.
Ir embora é importante para que você veja que você é muito importante sim! Seja por 2 minutos, seja por 2 anos, quem sente sua falta não sente menos ou mais porque você foi embora – apenas sente por mais tempo! O sentimento não muda. Algumas pessoas nunca vão esquecer do seu aniversario, você estando aqui ou na Austrália. Esse papo de “que saudades de você, vamos nos ver uma hora” é politicagem. Quem sente sua falta vai sempre sentir e agir. E não se preocupe, pois o filtro é natural. Vai ter sempre aquele seleto e especial grupo  que vai terminar a frase “Que saudade de você…”com  “por isso tô te mandando esse áudio”;  ou “porque tá tocando a nossa música” ou “então comprei uma passagem” ou ainda “desce agora que tô passando aí”.
Então vá embora. Vá embora do trabalho que te atormenta. Daquela relação que você sabe não vai dar certo. Vá embora “da galera” que está presente quando convém.  Vá embora da casa dos teus pais. Do teu país. Da sala. Vá embora. Por minutos, por anos ou pra vida. Se ausente, nem que seja pra encontrar com você mesmo. Quanto voltar – e se voltar – vai ver as coisas de outra perspectiva, lá de cima do avião.
As desculpas e pré-ocupações sempre vão existir.  Basta você decidir encarar as mesmas como elas realmente são – do tamanho de formigas.