domingo, 15 de abril de 2018

Expressões quebecas

Bom, mes amis.. Andei pesquisando sobre expressões quebecas e resolvi pegar umas "aulinhas" com um quebeca pra poder colocar aqui algumas expressões realmente quebecas que eles falam e o compilado foi esse aqui:


  • avoir les yeux plus gross que le ventre:  ter os olhos maior que a barriga
  • frete: quanto tá fazendo muito frio, ao invés de dizer "Il fait froi", você pode dizer: il fait frete
  • niaiseux: bobo
  • être dans la lune: estar no mundo da lua
  • arrete de niaiser: pare de bobagem
  • téteux: puxa-saco
  • arrete de faire (d'être) ton téteux: pare de seguir as regras ( quando alguém segue as regras beeeeeeem a risca)
  • obstineux: alguém do contra
  • faire du magasinage: fazer compras (exceto para comprar comidas / supermercado)
  • faire mes achats: fazer compras ( de modo geral)
  • passer un sapin / se faire avoir / se faire arnaquer / tromper / duper: passar a perna / enganar
  • avoir la fly à l'air: o passarinho vai voar ( quando o zíper da calça de alguém tá aberto)
  • se paqueter la fraise / se paqueter:  quando você bebe demais ( mas é muito mesmo, de chegar a dar PT)
  • être assis sur son steak: alguém que não faz nada enquanto os outros fazem todas as coisas
  • lâche pas la patate: não desista
  • avoir de la broue dans le toupet: uma pessoa afobada  
  • j'en ai plein mon cas: já estou por aqui ( com alguém / alguma coisa)
  • niase pas avec la puck: não me faça perder tempo
  • prendre une debarque: quando você cai no chão e é aquele tombo beeeem grande


Acho que por hoje tá bom de expressões quebecas. Eu tentei colocar o mais próximo do que a gente tem de equivalente, pra ficar fácil pra gente entender.
Claro que a gente ficar falando expressões quebecas, pra eles, é algo curioso / engraçado, pois são expressões de alguém que realmente nasceu aqui. Não que seja feio ou errado, mas é a mesma coisa de escutar algum gringo falando "dando uma de João sem braço", ou " tempestade num codo d'água". É legal / engraçado / curioso, pois são expressões bem brasileiras.

À bientôt..

segunda-feira, 26 de março de 2018

10 meses e um gato


Pois é mes amis.. 10 meses de Canadá se passaram. A vida continua na mesma do último post, da casa pro trabalho, porém agora, eu adotei um gatinho (Oscar).
Foi algo bem bom que eu fiz, pois agora, por mais que minha casa é cheia de pelos, tem algo vivo aqui dentro, algo que me ocupa um pouco a mais do meu tempo ou que me ajuda a distrair um pouco. Foi uma decisão acertada essa minha.
Estou sem grandes novidades, pois a vida aqui já entrou em um certo ritmo, mas mesmo assim, eu estou estudando em casa por conta própria, dando uma relembrada em programação e aprendendo algumas coisas novas, pra ver se aumentamos o leque de oportunidades aqui nesse mercado canadense.
Estou empolgado pela chegada do verão, pois agora que o inverno já acabou, a temperatura está começando a subir e os dias estão ficando mais longos (escurecendo quase as 19h40).
O francês a cada dia tá mais confortável. Não que eu seja fluente, mas a cada dia o sotaque e as "surpresas" que o idioma reserva no dia a dia estão ficando mais "naturais". O segredo é nos forçarmos a imergir na cultura e na língua, pois uma hora esse idioma sai.
É gostoso ver que depois de 4 anos de espera, em 10 meses minha vida está num ritmo que está sendo satisfatório, sinto que estou bem feliz por aqui, que esse meu projeto está sendo algo que com certeza colho bons frutos e colherei ainda mais no futuro.
É isso, mes amis, a vida aqui acontece... e ela não demora pra acontecer não. A velocidade aqui é grande, e é do tamanho da nossa vontade de fazer dar certo.

À tantôt...


domingo, 11 de março de 2018

Ainda estou aqui

Pois é, mes amis...
9 meses no Canadá se passaram e eu nem passei por aqui. E qual foi o motivo: falta de novidades mesmo.
Por aqui tá tudo meio que na rotina, dai me falta um pouco de novidades pra contar, mas lá na página do Facebook eu atualizo com mais frequência.

Então, está tudo indo bem por aqui, graças a Deus, 9 meses de aprendizados diários e pequenas grandes conquistas também.

O inverno está dando os sinais de que está querendo a começar a ir embora, mesmo que em alguns dias a neve ainda insiste em cair, mas só do fato da temperatura permanecer positiva a maior parte do dia, já é algo ÓTIMO.

Resolvi adorar um gato (Oscar). Ter alguma companhia "vida" dentro de casa está sendo bom.


Estamos todos ansiosos com a chegada do verão, pra termos dias em que o sol se poe às 21h30 e podermos "profitar" muito na rua.

É muita gratidão pra "uma pessoa só sozinha", pois nunca imaginei que em tão pouco tempo minha vida estaria assim, boa, segura, com aprendizados diários, e eu só tenho mesmo é o que agradecer, agradecer por não ter desistido da imigração em nenhum momento dessa trajetória.

É isso, minha gente..

À tantot...




segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

8 meses já se passaram e eu esqueci

Mes amis..... Fiz 8 meses de Canadá e esqueci de passar por aqui e fazer aquele post quase obrigatório pra dar uma "satisfação" pra vocês...

Pois bem, vamos lá:
a vida aqui tá bem na rotina (trabalho - casa - trabalho);
o francês vai evoluindo a cada dia, mesmo que agora ele vai evoluindo um pouco mais devagar e acertando os detalhes da língua. Mesmo assim, cada etapa é muito importante e a gente tem que segurar a ansiedade de aprender TUDO pra ontem;
continuo com um grupinho bom de amigos brasileiros aqui ( sim, eu NÃO corro de brasileiros, claro que a seleção natural funciona MUITO BEM comigo);
continuo saindo bastante mesmo sendo inverno, até porque precisamos fazer a manutanção da nossa sanidade mental, pois ficar trancado dentro de casa é de enlouquecer qualquer ser pensante;

sao oito meses de Canadá;
sao oito meses de saudade da minha família;
sao oito meses de saudade dos meus amigos;
sao oito meses de imersão à uma nova cultura;
sao oito meses de um trabalho duro, o que envolve trabalho e idioma;
porém,
sao oito meses de uma qualidade de vida que não consigo explicar;
sao oito meses de aprendizado constante;
sao oito meses de auto conhecimento;
sao oito meses de novos e bons amigos;
sao oito meses que me parecem ter sido dois anos;

é um mix de sentimento viver em outro lugar, um lugar tão distante e tão bom, onde o sentimento de ganha e perda se misturam;
é um mix de sentimento em saber que a vida de todos que estão no Brasil continua, sem você por perto.. e a sua também continua sem eles ao redor;
é um mix de sentimento em saber que voce é capaz de coisas que não sabia que podia fazer, ou que podia sentir, ou que sei la;

Mas é uma experiencia bem boa, bem rica, gratificante.

A cada dia eu entendo mais e mais que a paciência da família e dos amigos (verdadeiros) em saber respeitar e entender nossa escolha é fundamental e é isso que nos ajuda a mantermos firmes dia após dia aqui nesse lugar frio.

Eu só agradeço a Deus pela oportunidade e por me dar clareza nas minhas decisões. É isso que tenho pra esse post de 8 meses: AGRADECIMENTO.

À bientôt


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Vamos comparar

Pois é, mes amis...
Hoje eu queria passar aqui pra fazer uma "pequena" comparação: a quantidade de homicídios de Montréal com a minha cidade Natal, Divinópolis (MG).

Escolhi minha cidade pra fazer essa comparação por uma justificativa simples: quis pegar uma cidade bem menor que Montréal e menos populosa para que os defensores de Brasil não me digam: mas você comparou Montréal com São Paulo e só em São Paulo tem a população maior que de todo o Canadá.


Pois muito que bem, por isso que vou comparar Montréal (1 milhão e 700 mil habitantes) com Divinópolis (234.000 habitantes):

Divinópolis em 2017: 61 homicídios (link AQUI).
Montréal em 2017: 22 homicídios (link AQUI).

Sabe, eu não faço esse post com louvor, orgulhoso de hoje estar morando aqui em Montréal, desse lugar que escolhi pra viver que a sensação de segurança é infinitamente maior que qualquer cidade do Brasil, pelo contrário, faço este post com um pesar no coração em saber que todos os que amo que vivem no Brasil estão sujeitos a um perigo bem maior que eu hoje aqui no Canadá. Sei que aqui não é perfeito e está longe disso, mas hoje, basicamente a preocupação que tenho quando saio da rua, independente do horário, é com a temperatura.

O quesito segurança é o que mais pesa pra mim hoje, se sentir seguro é algo que não tem preço e não tem como mensurar em palavras, apenas estando num lugar assim pra poder sentir.

Se eu tivesse esperanças que o Brasil fosse melhorar a curto / médio prazo, eu insistiria um pouco mais, mas não, 31 anos foi um tempo bom pra depositar minhas esperanças por lá. Chegou a hora de apostar em um novo lugar.

Feliz por estar aqui.
Triste por quem está lá.

Escolhas, escolhas...

À bientôt...




domingo, 24 de dezembro de 2017

7 meses

Bom mes amis..


Amanhã, Natal, faz 7 meses que tô no Canadá.
A vida já entrou na rotina por aqui e as coisas já estão menos difíceis, mas a saudade do povo do Brasil é algo que sempre vai estar comigo, então sobre esse assunto, acho que nem precisamos mais falar sobre.

Eu sempre soube disso, mas depois que cheguei aqui eu comprovei que o ser humano não pode ser uma ilha, sem conviver com outras pessoas, sem ter contatos, sem ter amigos, pois quando se está em um outro país, as nossas conexões, nossa rede de contatos é o que faz com que nossa imigração / integração seja mais fácil.

Eu posso dizer que sou uma pessoa agraciada, pois tenho ao meu redor só pessoas boas, amigos que eu quero bem e que me querem bem e isso sim é fundamental para eu estar colhendo os frutos que colho hoje, pois sem eles, acho que eu já estaria cogitando a ideia de voltar ao Brasil.

Mas não, estamos tão conectados, somos tão companheiros uns com os outros que quando trocamos as nossas tristezas e incertezas, recebemos tantos apoios, tantas palavras de um futuro bom que esse sentimento de impotência, de incerteza, vai embora rápido e dá espaço para o sentimento de vitória.

Mas Natal é assim, mes amis, uma época nostálgica, uma época em que repensamos tudo que fizemos ao longo do ano que está quase acabando e começamos a fazer nossas "promessas" pro ano seguinte.

Pra quem está lendo isso do Brasil: dêem valor aos pequenos detalhes do cotidiano, às pessoas em sua volta, ao sabor de uma comida feita na hora, ao amor que pode acabar algum dia. Prestem atenção aos detalhes.

Pra quem está lendo isso de qualquer outro país: sinta saudade de tudo que o parágrafo anterior disse, se permita chorar de saudade ou rir de nervoso de não ter data para voltar ao Brasil para rever e provar tudo, mas mesmo assim, dêem valor aos pequenos detalhes do cotidiano, às pessoas em sua volta, ao sabor de uma comida feita na hora, ao amor que pode acabar algum dia. Prestem atenção aos detalhes. O princípio é o mesmo, o que muda é só a perspectiva.

A vida fora do Brasil não é glamurosa.
É simples.
É difícil, mas não impossível.
É gostosa.
É desafiadora.
É ganhar.
É perder.
É conquistar.
É se orgulhar de si mesmo.

Mas pra nós, que passamos tanto tempo em uma 'fila de espera" pra estarmos aqui hoje, só podemos agradecer por todo o caminho que trilhamos até aqui.


Eu só queria agradecer todo mundo que de alguma forma acompanham o blog. Com a rotina as postagens ficam mais escassas, mas lá na página do Facebook eu posto pequenas coisas do dia a dia, então, bora lá também.


Muito obrigado a todos e 2018 tem mais.

Feliz Natal pra todos.
Feliz Ano Novo pra todos.
Feliz 7 meses de Canadá pra mim.
Feliz...


À bientôt...

domingo, 26 de novembro de 2017

O que mudou depois de 6 meses

Bom, mes amis...

É estranho pra mim pensar que a exatos 6 meses atrás eu tinha chegado aqui, morava em uma quitinete, tinha apenas 2 copos, 2 pratos, 2 garfos, colheres e facas e um travesseiro e hoje, após 6 meses de Canadá, ver que minha vida já entrou na rotina normal de uma pessoa que trabalha e volta pra casa, na rotina de uma pessoa que tem mais que 2 itens de cada em casa é muito gratificante.

Parece que tem mais que 6 meses que estou aqui porque a vida aqui corre, corre numa velocidade um pouco diferente da vida que eu tava acostumado no Brasil, mesmo hoje eu fazendo exatamente as mesmas coisas que fazia nas terras tupiniquins (acordando cedo, trabalhando o dia todo, voltando pra casa).

Quando eu paro pra olhar no passado, passado esse em 2009 quando eu comecei minhas pesquisas sobre imigração canadense, eu jamais pensei que seria como está sendo hoje, eu achei que a minha vida aqui ia demorar mais pra acontecer, que ia demorar pra eu começar a conquistas as minhas coisas, que o francês ia demorar mais pra entrar de vez na minha cabeça, que canadenses eram
extremamente frios. Mas não, tem acontecido tanta coisa boa comigo nesses primeiros 6 meses que não dá pra expressar tudo em um simples post, é algo que só a gente estando aqui pra entender.

Quando a gente está no Brasil a gente sabe que a mudança que estamos fazendo é algo grande, mas a gente não tem noção do quão gigante é essa mudança. Não é apenas mudar de país, é mudar o idioma, viver 24 horas em uma cultura diferente, reaprender tudo novamente, e ao mesmo tempo que é difícil, é mágico. Mágico ver que somos seres completamente adaptáveis ao novo e ao desafio.

Tem horas que a saudade de tudo do Brasil chega com os dois pés no nosso peito e essa é a parte complicada de estar longe de todos, ainda mais morando sozinho. É um sentimento de que estamos perdendo tanto ao mesmo tempo que ganhamos muito, algo louco e que após 6 meses eu acho que administro bem dentro de mim. Me permito rir ou chorar por causa deles.

Se acho que fiz a escolha certa em morar aqui? Com certeza.
Vou viver aqui pra sempre? Pra sempre é muito tempo.
Me sinto feliz aqui? Muito.

Mas então, o que mudou depois de 6 meses ai, Tiago?

  • Mudou a minha forma de ver o mundo;
  • Mudou a minha maneira de aceitar o diferente e entender que é justamente o diferente que faz os outros serem interessantes;
  • Mudou que eu amo muito mais do que eu já amava meus amigos (verdadeiros) e minha família;
  • Mudou que agora eu vejo neve quando abro a janela do meu quarto;
  • Mudou que eu moro numa cidade que tem MC Donalds ( Divinópolis não tem);
  • Mudou que com 31 anos eu comprei um cachorro de pelúcia (Victor) pra eu não me sentir tão sozinho;
  • Mudou que sou o único que chama Tiago em uma empresa GIGANTE;

Uma vez me disseram que eu mudando pro Canadá era a mesma coisa se eu fosse voltar 6 casas em um jogo de tabuleiro, mas eu não vejo dessa forma: a impressão que tenho é que comecei um jogo novo, só que com toda a bagagem que já adquiri do jogo antigo.

Depois de 6 meses aqui a ficha começa a cair:
que moro num país seguro;
que moro num país livre;
que moro num país com impostos altos;
que moro num país que me faz feliz;
que moro num país que neva.

Ah.. e depois de 6 meses aqui eu descobri que eu amo panelas...

À bientôt...




domingo, 5 de novembro de 2017

Teclado em francês

Muito que bem, mes amis, eu tinha falado no post AQUI que uma coisa importante pra quem vai trabalhar em algum lugar que usa computador com teclado em francês é saber o nome dos caracteres especiais em francês. Por isso eu fiz uma busca no nosso amigo google sobre isso e deixo aqui pra vocês. De nada:

: – dois pontos: deux-points

; – ponto e vírgula: point-virgule

“ - aspa [inicial]: guillemet [initial]

" " - entre aspas: entre guillemets

` - acento grave: accent grave (è)

´ - acento agudo : accent aigu (é)

^ - acento circunflexo: accent circonflexe (ê)

¨ - trema: tréma (ë)

´ – apóstrofo: apostrophe (l´)

, – vírgula: virgule

. – ponto: point

? - ponto de interrogação: point d'interrogation

~ – til: tilde

! – ponto de exclamação: point d'exclamation

... - reticências: réticences

( ) – parênteses: parenthèses 

- traço de união: trait d’union (ex.: quatre-vingt-dix)

- travessão ou sinal de menos: tiret ou signe moins

Ç - cedilha; cédille

{} – chaves; accolade ouvrante et accolade fermante

[ ] – colchetes: crochets

* - asterísco: astérisque 

* - sinal de multiplicar (matem.) (X) num teclado de computador: le signe multiplier (X) sur un clavier d'ordinateur

@ - arroba: arobase, a commercial - [ou par anglicisme « at » également appelé arrobase, arrobe, arobas, arroba - Wikipedia.fr]

# - cerquilha, tralha ou jogo-da-velha: signe dièse, croisillon, carré, le hashtag , mot-dièse, mot-clic

$ - sinal de dólar: signe du dollar 

% - sinal de porcentagem: signe pourcentage

& - et, e comercial, eitza, sinal tironiano, ampersand: L’esperluette ou esperluète (nom féminin), également appelée perluette, perluète ou « et » commercial, désigne le logogramme &. Elle résulte de la ligature des lettres de la conjonction de coordination « et » et possède la même signification. Wikipedia.fr

– traço inferior, subtraço, traço rasteiro, traço de sublinhar (souligner): tiret en bas

+ – sinal de mais: signe plus

= – sinal de igual: signe égal

| – barra vertical: barre verticale

\ – barra oblíqua inversa: barre oblique inverse

/ – barra oblíqua: barre oblique

/ - sinal de dividir (matem.) num teclado de computador: le signe diviser sur un clavier d'ordinateur

< > - sinal de comparação (>) = maior; (<) = menor): signe de comparaison 
    8 > 2 - signifie que 8 est supérieur à 2
    3 < 7 - signifie que 3 est inférieur à 7


Trabalhar em outro idioma é cheio de desafios e esses "pequenos detalhes" fazem uma grande diferença pra gente que é louco e mudou de país. A notícia boa é que a gente se acostuma rápido com as coisas. De nada de novo...

À bientôt...


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

5 meses de Canadá

Pois é, mes amis..

É estranho pra mim pensar que o filho caçula que sempre morou com os pais numa cidade de 220.000 habitantes saiu de casa pra morar em outro país, país este que não fala português (not even close), sem nenhuma referência dos desenhos que eu via na infância, sem referências aos programas de TV que podemos fazer uma piadinha aqui ou ali.

As vezes é um pouco frustante quando você está numa roda de conversa com pessoas que não são brasileiras, você entende o que elas falam mas você não consegue encaixar sua opinião ou se expressar porque suas referências fazem com que o assunto não faça nenhum sentido pra você, ou quando eles contam uma piada que pra mim é super sem graça, e você, pra ficar menos sem graça, dá um sorrisinho amarelo pra "socializar"...

Mas quando todas essas inquietudes passam pela minha cabeça e em meu coração eu paro e penso: eu mudei de país, seria ilógico se absolutamente NADA do Brasil não me fizesse falta (não tô falando da família e amigos, porque isso SEMPRE vai fazer falta).
É a mesma coisa quando alguém me fala: "nossa, Tiago, eu tô com tanta saudade de você..." A cada vez que eu leio ou escuto essa frase, eu comemoro por dentro, meu coração se enche de alegria e de um "dever cumprido" que ninguém imagina, pois a gente só sente saudade do que foi bom na nossa vida e isso me faz ver que estive no caminho certo e que apenas estou dando continuidade aos ensinamentos sábios que meus pais, com muita sabedoria, me passaram e passam até hoje.

Depois de exatos 5 meses que estou aqui, 5 meses que eu chego em casa e não tem ninguém pra conversar ou simplesmente pra ter uma companhia, 5 meses lutando diariamente pra compreender e ser compreendido, 5 meses convivendo com a saudade do meu povo, me passa a sensação de que nesses 5 meses eu fiz coisas equivalentes a 2 anos de Brasil. É tanta coisa nova, tanta coisa à aprender, absorver e compartilhar que a vida aqui passa rápido, mais rápido que a gente imagina.

Sinto falta dos amigos? Sinto;
Sinto falta da família? Sinto;
Sinto falta de ouvir português o dia todo? Sinto;
Sinto falta dos meus cachorros? Sinto;
Sinto falta da facilidade de comer comida brasileira em qrandes quantidades? Sinto;
Sinto falta da vibe do Brasil quando estamos em uma balada ou em uma festinha? Sinto;
Sinto falta da minha moto? Sinto;
Sinto falta de tomar cerveja litrão por R$5,00? Sinto;
Sinto falta do amor que ficou pra trás? Sinto;
Sinto falta de ir na casa de alguém sem aviso prévio? Sinto;
Sinto falta de entrar nas casas sem ter que tirar os sapatos? Sinto;

mas a gente só tem que saber dentro do nosso íntimo mais íntimo separar "saudade" da "vontade de voltar" pro Brasil. E nesse post, não houve nada sobre voltar ao Brasil...

À bientôt...

domingo, 8 de outubro de 2017

Trabalhar em francês

Bom, mes amis..
Vamos falar de trabalho? Vamos falar de trabalho...

Como eu havia comentado em outro post, estou trabalhando aqui e as primeiras impressões são as melhores até agora, única coisa que assusta um pouco é o francês mesmo, pois no meu trampo eu utilizo o francês 90% do meu tempo e "pegar" o sotaque dos quebecas as vezes é um pouco chatinho, mas irei sobreviver (assim espero).

Pra entrar na empresa, eu fiz 2 entrevistas pessoalmente e uma "meia entrevista" por telefone, que foi mais um bate papo mesmo. O que achei interessante nesse meu processo de seleção foi que: na entrevista com o meu gerente, ele nao me fez NENHUMA pergunta técnica, porque segundo ele, minha parte técnica já está no meu currículo, por isso que foi apenas perguntas do tipo "Como você se imagina daqui 5 anos", "Qual o maior desafio que você já enfrentou", esse tipo de coisa, pois segundo ele, ele queria saber como é a personalidade da pessoa que ele estava contratando e ver se daria um "match" na personaldade da equipe toda. :)
As duas entrevistas foram em francês e em alguns momentos eles falaram em inglês comigo.

Como eu entrei faz 1 semana, estou ainda em treinamento (serão 5 semanas) e se eu puder dar uma dica pra qualquer pessoa que ainda está no Brasil e vai trabalhar em uma empresa francofona e vai usar um computador seria: aprendam como dizer os nomes dos caracteres especiais do teclado em francês. Sério... Fora que o teclado é um pouco diferente do teclado em português. É uma dica boba, mas tá ai...

Trabalhar aqui está sendo como trabalhar no Brasil, só que em francês, o que torna as coisas um pouquinho mais difícil. No trabalho eu tenho apenas meia hora de almoço, mas pelo menos eu paro cedo.
Mas eu tô gostando muito, muitos desafios, muita coisa nova pra aprender. Foi pra isso que vim pra cá.

Bom, é isso, outono tá aqui com os dois pés no peito da gente e daqui uns dias a temperatura começa a ter um - na frente dos números. Vamos nos preparar pro primeiro inverno.

À bientôt...